MS: Escola da Capital luta sozinha por conservação de nascentes

MS: Escola da Capital luta sozinha por conservação de nascentes

 

07-JUN-2011
CORREIO DO ESTADO ONLINE - MS

A Escola Municipal Elízio Ramirez Vieira em Campo Grande (MS) luta, há mais de cinco anos, pela preservação de suas cinco nascentes. Com uma área de 28.400 metros quadrados, a escola foi construída em cima de um terreno que teve um pequeno lago secado para a sua fundação, no dia 21 de dezembro de 2001.

Quatro anos depois veio a surpresa: águas começaram a fluir do chão, de forma inexplicável para a comunidade escolar. A suspeita de que aquelas águas eram, na verdade, nascentes, foram confirmadas e desde então a escola luta para preservar o local.

O diretor adjunto, Waldomiro Brites, disse que a área foi compactada e as nascentes ficaram escondidas durante esse tempo. "Após a descoberta delas, vários projetos foram propostos pelo poder público, quiseram até plantar eucaliptos aqui, mas nada foi feito. Nós é que lutamos pelo local", diz.

Das cinco nascentes descobertas, as três maiores foram nomeadas por votação na escola. A do Conhecimento, da Sabedoria e a Saudável.

A região das nascentes está cercada de mudas e árvores já crescidas, plantadas nesses últimos anos, ao entorno. No dia 4, em comemoração ao Dia Mundial do Meio Ambiente, a escola plantou cem mudas, todas do viveiro da prefeitura.

Para drenar a água das nascentes, que correm em direção ao prédio da escola, foram construídos canaletes de concreto. Neles, acabaram se formando pequenos berçários para sapos e uma espécie de peixe, que são observados e estudados pelos alunos.

Pé na lama

A professora de Ciências, Maria Aparecida da Silva Golçalves, declarou que sempre que pode prepara aulas focadas nas nascentes que têm nos fundos da escola. "Qualquer tema da minha aula ligado ao meio ambiente eu procuro trabalhar nas nascentes, para conscientizar os alunos", explica.

Maria Aparecida diz ter se apaixonado pelo local a primeira vista. "Quando eu cheguei para trabalhar na escola, o Waldomiro me disse que aqui tinham nascentes e não acreditei. Na época, tacaram fogo no local e ficaram visíveis as nascentes e o curso delas. Aí eu me apaixonei e desde então cuido daqui", declara.

O que não sai do papel

Apesar de atrair a curiosidade da comunidade acadêmica e do público em geral, nenhuma das observações feitas no local surtiu em uma decisão ou projeto efetivo para as nascentes. "Na época do Gasoduto, pensaram em fazer um projeto na escola que só ficou no papel. Muitos acadêmicos de Geografia também vem aqui para fazer seus trabalhos de conclusão de curso, mas tudo fica mesmo na parte da pesquisa", explica Waldomiro.

A própria escola cuida das nascentes como pode, sem ajuda de nenhum técnico ou biólogo, fazendo a limpeza e plantio de mudas para a preservação do local.

"Nosso sonho é fazer da escola um centro de educação ambiental de referência", finaliza o diretor adjunto.