A RESPEITO DO ILUMINISMO/ A INFLUÊNCIA DE ROUSSEAU

15/05/2011 00:27

  A RESPEITO DO ILUMINISMO 

 

Iluminismo foi uma corrente filosófica desenvolvida na Europa no transcorrer dos séculos XVII ao XVIII, que pregava a valorização do ser humano e o uso da razão para o estudo da natureza e da sociedade. Floresceu especificamente na França, Grã-Bretanha e Alemanha e, posteriormente, influenciou diversos países, como Portugal, na figura do Marques de Pombal e a independência das treze colônias controladas pela metrópole britânica que mais tarde formariam os Estados Unidos da América. Em especial na França ocorreu a contestação de conceitos até então inabaláveis como o Absolutismo de direito divino[Nota de rodapé] e os privilégios da nobreza (VICENTE, 1995). 

Para os iluministas, o uso crítico da razão é o caminho para combater os dogmas metafísicos, as superstições religiosas, os preconceitos morais, os desmandos políticos e as relações desumanas, assim como a falta da liberdade de credo, de opinião e política. O movimento iluminista defende a difusão do conhecimento cientifico, pois o ser humano da época confiava cegamente nos paradigmas pré-estabelecidos como verdade. Essas “verdades”, impostas pela Igreja Católica, por muito tempo atrasaram o desenvolvimento científico, impedindo, por exemplo, o estudo em cadáveres (FORTES, 1985). 

“Cada século,” dirá Diderot, “tem um espírito que o caracteriza: o espírito do nosso parece ser o da liberdade.” Ora, liberdade significa aqui em primeiro lugar, liberdade frente à tradição religiosa. É com a condição de se conceber como livre no exercício de sua razão, como senhor de suas opiniões e como fonte de sua própria verdade, que o universo inteiro poderá liberar-se, para o homem, como um eventual campo de exercício para sua capacidade racional de explicação. Para a tradição religiosa e teológica uma tal pretensão seria a rigor descabida. A resposta aos enigmas que circundam o homem o encontra na própria palavra divina revelada: nas Sagradas Escrituras. Certo, é sem dúvida que ele se utilize de seu conhecimento e de sua inteligência para melhor compreender certas passagens da Escritura, pois nem sempre as tais respostas são suficientemente claras. Mas nunca será sua razão a faculdade a dar última palavra: ela é simples servidora da Fé, de um conjunto de preceitos dogmaticamente fixados diante dos quais deve cessar toda curiosidade intelectual. O âmbito da atuação da razão humana será, nestas condições, necessariamente restrito e secundário: nem poderá dispensar a Revelação e nem, muito menos, pretender em caso de conflito, prevalecer sobre ela. (SALINAS, 1985, p.16) 

 

O iluminismo buscava a verdade fora da religião e do racionalismo. De certa forma, levou à prática do uso crítico da razão para destruir todo e qualquer tipo de heteronomia [do grego hétero (outro) e mos (lei)]. Prega o progresso por meio da racionalidade que tem por base tanto o empirismo de Locke, para quem as ideias são reduzidas a experiência, quanto na física newtoniana. (DURANT, 19--, p. 23).    

No contexto da época, à teologia competia estudar o ser humano. O iluminismo inverteu essa noção e colocou a antropologia como fundamentação para a pluralidade dos saberes, pois havia um objetivo comum que era estudar positivamente a natureza. A antropologia iluminista possui base na inteligibilidade racional humana (ZATTI, 2007). 

Quanto à autonomia, os iluministas relacionavam a humanidade, a civilização e o progresso com premissas de caráter racional e universal da natureza humana. Por humanidade, o iluminismo a partir dos critérios de imanência versus transcendência do ser humanoentendia a valorização da realidade terrena em si mesma e a importância da ciência segundo princípios empíricos. 

Para o iluminismo, o ser humano, detentor dos resultados das ciências empíricas, é realmente autônomo. Seguindo essa mesma linha, o ser humano alcança a autonomia quando busca a própria preservaçãoa satisfação para seus desejos e também a minimização de seus sofrimentos em vista da felicidade